CRÍTICA: Michael: Campeão de bilheteria e um mergulho visual na arte do Rei do Pop que hesita em tocar na ferida


Atenção: Este artigo contém spoilers sobre a cinebiografia.

Finalmente, em 21 de abril, pudemos testemunhar o que foi aguardado por décadas: MICHAEL, a cinebiografia oficial de Michael Jackson. O veredito imediato? O elenco, a caracterização, o roteiro e a seleção musical são praticamente irretocáveis. No entanto, quando o assunto é a complexidade do ser humano por trás do ídolo, o filme opta por um caminho seguro e excessivamente polido.

O Brilho Técnico e a Performance de Jaafar Jackson
O elenco é realmente impecável, reproduzindo com nitidez impressionante as figuras reais. Jaafar Jackson não apenas interpreta Michael; ele o encarna. A entrega física e vocal é assustadora, entregando exatamente o "Michael" que o roteiro propôs.

As cenas musicais são, sem dúvida, o ponto alto:

Shows com os irmãos: Sequências alucinantes que capturam a energia dos Jackson 5 e da era Victory.

Comercial da Pepsi: O trágico acidente é retratado de forma impactante e tecnicamente impecável.

Estética: Um espetáculo visual e sonoro que justifica cada centavo do ingresso.

As Omissões de "Michael": Janet Jackson e Diana Ross não aparecem no filme.
Por que Quincy Jones e Berry Gordy são vagamente mostratos na obra?


A ausência de figuras femininas cruciais, como Janet Jackson e Diana Ross, deixa lacunas sensíveis no roteiro da cinebiografia. Janet, a irmã mais próxima de Michael, não faz parte do filme - uma decisão que, segundo sua irmã LaToya Jackson, teria partido da própria cantora, embora sua presença fosse fundamental para a narrativa devido à intimidade entre os dois.

Da mesma forma, Diana Ross, musa inspiradora e peça-chave na introdução dos Jackson 5 ao mundo, foi ignorada pela trama. No campo profissional,

Quincy Jones, o arquiteto por trás dos maiores sucessos de Michael, é apenas vagamente mencionado.

Já a representação de Berry Gordy, o dono da Motown, não recebe a importância devida; o filme falha em explorar a relação de profunda confiança entre eles, negligenciando o fato de que Michael o via como uma figura paterna ao ponto de dormir na mesma cama de Gordy. A exploração desse vínculo teria sido vital para ajudar o espectador a compreender a natureza fraterna e o sentimento puro que, anos depois, definiriam a forma como Michael se relacionava com as crianças.


A "Higienização" da Dor

Apesar do deslumbre, o filme peca ao tratar a vida de MJ de forma excessivamente "higiênica". Há uma clara suavização das dores e conflitos pessoais que moldaram o artista:

A Tirania de Joseph Jackson:
Não espere encontrar o pai carrasco descrito em biografias independentes. No longa, Joseph passa por um filtro que imprime menos tirania. Embora mostre uma surra e uma cena sugerindo castigo físico, o filme evita a brutalidade real de Michael sendo jogado contra paredes e espancado até quase desmaiar.

Saúde e Transformação:
A produção mal cita o vitiligo e aborda apenas uma única cirurgia no nariz, ignorando o complexo processo de transformação física do cantor, bem como suas razões emocionais para tantas mudanças.

A dor física:
O trágico acidente ocorrido durante a gravação do comercial da Pepsi tornou-se um divisor de águas na vida do astro, dando início a décadas de dores físicas insuportáveis. Esse trauma não apenas marcou sua história, mas desencadeou uma dependência severa de medicamentos para dor que o acompanharia pelo resto de sua vida, sendo um elemento crucial para compreender a fragilidade por trás da imagem pública de Michael Jackson.

Conflitos Internos:
A cinebiografia deixa de lado as reais dores físicas e emocionais, perdendo a oportunidade de humanizar Michael perante o público que não conhece sua história a fundo.

Por que suavizar?
Logicamente, contar essa história com um realismo cru poderia chocar os fãs e manchar a imagem da família e do Espólio (que supervisiona a obra). Em duas horas de filme, a profundidade acaba sendo sacrificada em prol do entretenimento e da preservação do mito.

Magia?
Sim, a magia da arte de Michael é nitidamente louvada e mesmo algumas nuances sobre o coração bondoso do ser humano Michael transparece em algumas cenas.

A tentativa de transpor a trajetória de Michael Jackson para as telas revela-se um desafio hercúleo. Mostrar o artista em sua totalidade, buscando explicar a densa complexidade de sua vida e a magnitude de sua obra, é um feito que beira o impossível dentro das limitações de um longa-metragem. No entanto, para além das dificuldades de tempo, é inegável que muito mais poderia ter sido mostrado, enfatizado e relembrado, permitindo uma conexão mais profunda com a realidade do astro.

Barreiras:
O filme acaba criando uma barreira para aqueles que acompanham a carreira do Rei do Pop há décadas. Os fãs mais antigos, que leram biografias detalhadas ou estudaram minuciosamente os passos do artista, sentem falta de camadas essenciais. Existem enredos fundamentais sobre sua saúde, seus processos criativos e suas batalhas que o filme simplesmente ignora, optando por uma narrativa que, embora esteticamente bela, silencia os aspectos mais humanos e controversos que definiram quem Michael Jackson realmente foi.

Os fãs:
O papel dos fãs diante do lançamento de MICHAEL transcende a mera audiência; para muitos, existe a missão afetiva de espalhar boas notícias e promover visões positivas sobre a experiência cinematográfica. Para quem ama o Rei do Pop, toda e qualquer homenagem é vista como válida e profundamente merecida, independentemente de ressalvas técnicas ou críticas ao roteiro, prevalecendo sempre o sentimento de gratidão por ver o legado de Michael celebrado mais uma vez.


Destinado ao sucesso:

Não restam dúvidas de que esta cinebiografia está destinada a bater todos os recordes, sendo capaz de captar uma nova legião de admiradores para o Rei do Pop e consolidando-se como mais uma grande vitória da marca Michael Jackson. Por isso, não se deve esperar pelo insucesso, pela decepção ou pelo esquecimento: o longa, que já projeta uma continuação para 2027, chegou para celebrar e tatuar definitivamente o nome de Michael Jackson no coração de seus fãs e de todos os espectadores.

Veredito: Vale o ingresso?

É um "filmão"?

Do ponto de vista visual e como entretenimento, sim, com certeza! É um deleite audiovisual que celebra o talento incomparável do Rei do Pop.

Vale a pena ver de novo?
Sim, vale! Mas encare como uma diversão leve e um encantamento técnico. Como obra biográfica, fica o gosto amargo de uma oportunidade perdida: a de mostrar que o gigante dos palcos carregava uma vida dolorosa que explicaria muito sobre quem ele se tonaria futuramente.

Por MJVIPCLUB
Imagens: Reprodução Internet